ENTREVISTA| Dr. Bruno Sander, gastroenterologista, endoscopista e especialista em emagrecimento→”Balão intragástrico: entenda quem pode colocar, quais os critérios médicos e se existe idade mínima para o procedimento”

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Procedimento minimamente invasivo ganha espaço no tratamento da obesidade leve a moderada, mas exige avaliação individualizada e acompanhamento multidisciplinar

O uso do balão intragástrico tem se tornado uma das opções mais procuradas por quem busca combater o sobrepeso e a obesidade sem recorrer a cirurgias definitivas. Por ser um método minimamente invasivo e totalmente reversível, o procedimento ocupa um espaço estratégico no tratamento de pacientes que não obtiveram sucesso apenas com dietas e exercícios, mas que ainda não possuem indicação para a cirurgia bariátrica. 

Estima-se que o dispositivo possa levar a uma redução de 10% a 15% do peso corporal total, o que representa um impacto significativo na melhora de comorbidades como hipertensão e diabetes tipo 2. No entanto, o sucesso do método depende diretamente do respeito aos critérios médicos e de uma seleção criteriosa de quem realmente pode se beneficiar da técnica.

De acordo com o Dr. Bruno Sander, gastroenterologista, endoscopista e especialista em emagrecimento, a principal indicação ocorre para pacientes com Índice de Massa Corporal (IMC) a partir de 27, o que caracteriza o sobrepeso grau 1. “O dispositivo funciona ocupando um volume considerável no estômago, o que estimula receptores de saciedade e retarda o esvaziamento gástrico. Não se trata de uma solução mágica, mas de uma ferramenta de reeducação”, explica. Para o profissional, o balão serve como um “treinamento” para o organismo, permitindo que a pessoa aprenda a comer quantidades menores enquanto conta com o auxílio físico do acessório para controlar a fome.

Sobre a idade mínima para o procedimento, o especialista esclarece que, embora não exista uma regra única universal, o consenso médico geralmente estabelece os 18 anos como o marco inicial. “Entretanto, em casos específicos de obesidade infantil ou juvenil severa, onde os riscos de saúde superam os do procedimento, o uso pode ser avaliado a partir dos 12 ou 14 anos, desde que as cartilagens de crescimento já tenham se fechado e haja maturidade emocional”, orienta. O gastroenterologista reforça que, nessa faixa etária, o acompanhamento psicológico e o apoio familiar são ainda mais cruciais para garantir que o jovem compreenda as mudanças que ocorrerão em sua rotina alimentar.

Existem, contudo, contraindicações importantes que precisam ser observadas durante a avaliação clínica. Dr. Bruno aponta que pacientes com grandes hérnias de hiato, cirurgias gástricas prévias ou lesões ulcerosas ativas não devem realizar o implante. “Além disso, transtornos alimentares não tratados ou dependência química são fatores que impedem a colocação, pois o balão exige que o indivíduo colabore com o tratamento. A triagem endoscópica prévia é o que garante a segurança do processo, evitando que o dispositivo seja colocado em um estômago que apresente alguma fragilidade anatômica”, afirma.

A durabilidade do balão no organismo varia de seis meses a um ano, dependendo do modelo escolhido, e esse tempo deve ser aproveitado para uma mudança profunda de estilo de vida. “O acompanhamento multidisciplinar, envolvendo nutricionista e, por vezes, psicólogo, é o que define quem manterá o peso após a retirada do dispositivo. Dados clínicos indicam que pacientes que seguem o suporte profissional contínuo têm taxas de sucesso muito superiores àqueles que confiam apenas na presença do balão”, finaliza. A tecnologia evoluiu muito, oferecendo hoje dispositivos deglutíveis que dispensam até a sedação em alguns casos, mas a disciplina do paciente continua sendo o fator determinante.deb

Acompanhe o trabalho do Dr. Bruno Sander no Instagram: @drbrunosander  

Fonte: Dr. Bruno Sander — Gastroenterologista e Endoscopista |  Especialista em emagrecimento

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